31 julho, 2012

FUSCA VOLKSROD



 


Quem vê o bancário Luciano Siqueira de Souza na agência em que ele trabalha, engravato e com camisa social, dificilmente imaginaria ser o leitor o responsável pelo site Kultura Kustom Brasil ( www.kulturakustombrasil.blogspot.com ). Também não iria crer que o mesmo se deslocasse, na cidade de São Paulo, a bordo do carro mostrado nessa matéria, um Hot Volks que, feito na Bad Bug e finalizado por Flavio da Lima e Lima, conta com teto rebaixado, rodas importadas e outros detalhes exclusivos.
O beso    uro, originalmente um combalido 1200 1966, foi comprado por Luciano e mais dois amigos, na cidade de Águas de Lindóia, SP, em conjunto com duas Kombi.
O leitor ficou com o Fusca e pretendia transformá-lo em um hoodride, mantendo, assim, a aparência desgastada da pintura e os pontos de ferrugem que, diga-se de passagem, já existiam em número razoável pela carroceria do veículo. Para isso, entretanto, era necessário fazer o carrinho andar: ele estava sem motor! Foi providenciado, então, um propulsor 1.500 (com diâmetro e curso de 83 mm x 69 mm, o qual desenvolvia 52 cv SAE a 4.600), que equipou o Sedã em fins de 1970, além do Karmann-Ghia de 1967/69 e da Kombi de 1967/75. O “novo” propulsor teve apenas o carburador refeito (Solex 30 PIC, com filtro de ar banhado a óleo) e a carcaça da ventoinha trocada por outra nova.


Com o motor no lugar, Luciano estava pronto para seu primeiro passeio com a “jóia”. Ou quase: a experiência se mostrou inesquecível, pois, quando em movimento, a corrosão demonstrou todo o seu potencial e o Fusca praticamente rachou no meio. Até mesmo o assoalho cedeu, causando um susto razoável e demonstrando ao leitor que seriam necessários extensos reparos para colocar o besouro em ordem. Outra pessoa provavelmente teria desistido da “brincadeira”, mas este não foi o caso de Luciano, conforme veremos a seguir. Depois do ocorrido o carro foi inteiramente desmontado e passou por um extenso processo de funilaria e pintura.
Como exemplo disso os restos dos dois assoalhos foram trocados por outros novos, assim como ocorreu com a caixa de estepe, também bastante estragada, enquanto a capota, por influência dos hot rods aerodinâmicos que correram nos lagos secos dos EUA, foi rebaixada em 12 centímetros, sendo necessário adquirir outro teto para realizar tal transformação. Os paralamas traseiros, alargados em sete centímetros, ficaram prontos para aceitar rodas e pneus de maior diâmetro, cuja instalação já estava nos planos de Luciano. Assim, para que o conjunto ficasse harmonioso, o párachoque traseiro, com o emprego de uma segunda lâmina, foi encompridado em cerca de 14 centímetros. O fato de que todas as peças do besouro seriam pintadas e não haveria a necessidade de cromar o metal colaborou muito nessa etapa.


O próximo passo foi adaptar na carroceria uma vigia de fibra de vidro, a qual imita a traseira split window dos Fusca feitos até a primeira metade da década de 50. Para tanto também foi necessário trocar a tampa traseira pela de desenho mais antigo, com a tradicional “gravata estampada”, igualmente feita de material sintético.
A suspensão dianteira foi encurtada através da diminuição dos braços do sistema de direção (1,5 cm em cada lado). Luciano imaginava que só assim seria possível empregar as rodas importadas Radar, feitas em liga leve, de 17 polegadas, com furação do Fusca antigo. Quando elas chegaram, entretanto, o leitor concluiu que as mesmas não necessitam do espaço extra, resultante da mudança nos braços, razão pela qual optou por reverter a modificação.

 
As peças de tamanho normal voltaram o eixo dianteiro, que então foi rebaixado (graças a um sistema de catracas e amortecedores de hastes mais curtas), em cerca de seis centímetros. A traseira, também com novos amortecedores, foi rebaixada em quatro centímetros, enquanto as rodas foram “calçadas” com pneus Pirelli Winter 240 Showsport, nas medidas 205/50/17 e 225/50/17. Apesar disso os freios a tambor, assim como o sistema de direção, ainda são originais, muito embora, para garantir a segurança, tenham tido seus componente trocados por outros novos. O sistema elétrico, obviamente, já era de 12 volts desde a montagem do motor 1500.
Enquanto isso a carroceria foi pintada em um tom de chumbo fosco, especialmente desenvolvido para o projeto e, posteriormente, montada no chassi. Todos os detalhes externos foram pintados de preto, mas os piscas dianteiros foram eliminados dos pára-lamas, alojando-se, agora, dentro do “casulo” dos faróis. As garras dos párachoques e os reforços tubulares foram eliminados, ocorrendo, também a montagem de um farol de milha amarelo do lado direito.


As gradinhas dos paralamas receberam pequenos enfeites, com caveiras presas sobre chaves de boca cruzadas, tal como as tíbias usadas nos pictogramas de risco tóxico. O detalhe se repete na porta do motorista, mas com um crânio estilizado e de maiores proporções. As lanternas traseiras também são do Fusca dos anos 50 e os quebra ventos agora são fixos. Os pinstripes foram feitos pelo artista Geraldo Targino e houve a adaptação, na capota, de um teto solar feito da Ragtop.

Internamente o painel teve suas furações eliminadas, ficando totalmente liso, exceto pelo orifício feito no meio, destinado ao instrumento usado no Super Beetle alemão, o qual reúne velocímetro e marcador do nível de combustível, com disco de fundo customizado.  Este velocímetro é ladeado por pinstripes, os quais também foram feitos por Targino.


A chave de seta, cromada, bem como o volante esportivo de três raios perfurados e aro de madeira, são da marca Mooneyes, enquanto as maçanetas das portas, tal como o espelho retrovisor interno, foram comprados da So-Cal. A alavanca de câmbio, com manopla de bola de tênis, é da Empi e os bancos dianteiros, tipo concha, são de fibra de vidro, do mesmo tipo empregado nas réplicas do Porsche 550 Spyder. Já o banco traseiro foi retirado.

O pedal do acelerador, como nos Fusca mais antigos, é do tipo que conta com rodinha, sendo que a utilizada nesse carro é de skate. Trata-se de uma Santa Cruz Bullet 66, que foi muito empregada nos shapes da década de 80. No túnel foi instalado um patinho de borracha preto com aparência demoníaca e o carro finalmente ficou pronto para estrear, no presente ano, no evento do Dia Nacional do Fusca, realizado em São Bernardo do Campo, SP, em 24 de janeiro último.


Mas não pense que Luciano acha que seu Besouro está pronto, pois ele ainda pretende mudar a cor das rodas e dos párachoques para um tom de “ouro velho”. E, quando alguém lhe pergunta se ainda existe algo por fazer em seu Fusca, o leitor é taxativo: “Para quem realmente é fanático por customização, um carro em uso nunca estará finalizado, mesmo porque, quando isso ocorre, é sinal que já chegou a hora de vendê-lo e, desse modo, começar um novo projeto”.

Texto: Rogério Ferraresi
Fotos: Bruno Guerreiro

2 comentários:

Fabio Straioto disse...

Gostaria de saber no caso do teto rebaixado... precisa passar por inspeção do Inmetro ? pois gostei muito do visual, e estou pensando em fazer no meu

Fabio Straioto disse...

Gostaria de saber no caso do teto rebaixado... precisa passar por inspeção do Inmetro ? pois gostei muito do visual, e estou pensando em fazer no meu

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